O Senado Federal homenageou, nesta quinta-feira (18), os 70 anos de criação do Conselho Federal de Química (CFQ), em uma sessão especial que reuniu parlamentares, dirigentes do Sistema CFQ/CRQs, representantes da indústria, da educação e da comunidade científica. A solenidade, proposta pelo senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destacou a contribuição da área para o desenvolvimento econômico, tecnológico e social do Brasil e marcou o lançamento do selo e do carimbo comemorativos das sete décadas da instituição.

Presidente do Conselho Regional de Química da 14ª Região (AM, AC, RR e RO) e da Federação Nacional dos Profissionais da Química, Gilson Mascarenhas falou sobre os avanços alcançados pelo Sistema CFQ/CRQs ao longo de sua trajetória, com destaque para o fortalecimento das relações institucionais promovido pela atual gestão do CFQ.
“Na atual gestão, conseguimos construir relações com a indústria, associações, instituições de ensino, além de estreitarmos laços com autoridades governamentais e políticas em prol da Química, preenchendo uma lacuna até então existente e de suma importância para o desenvolvimento do sistema”, disse.
Ao tratar do cenário nacional, Mascarenhas afirmou que as pautas da categoria têm conquistado maior espaço junto ao Poder Legislativo. “Hoje, podemos dizer que, no Senado brasileiro, as demandas em prol da Química e de seus profissionais são reconhecidas e apoiadas. Estamos hoje no Plenário do Senado nacional mostrando a importância que o Sistema CFQ/CRQs tem para a sociedade brasileira”, pontuou.
Representando o estado do Acre, o deputado federal Eduardo Velloso (Solidariedade) abordou a contribuição dos profissionais da área nos avanços que impactam diretamente a qualidade de vida da sociedade. Ao homenagear os 70 anos do CFQ, o parlamentar ressaltou a importância da ciência para setores essenciais, como saneamento, produção de alimentos e desenvolvimento tecnológico. “Se você vai tomar um banho e usa xampu, se você tem a honra de tomar uma água sem cheiro, sem gosto e transparente é porque tem a Química. Se nós hoje estamos evoluindo para alimentos com menos agrotóxicos é porque tudo tem Química”, lembrou.
Ao falar sobre o potencial da Região Norte, o parlamentar fez um apelo aos profissionais da área, defendendo uma maior aproximação entre a ciência e os desafios da Amazônia. “Nós precisamos de vocês para melhorar a nossa produção, a nossa biodiversidade, porque lá pode ser a saída, a janela ou a abertura para o mundo”, declarou.
Quem também ressaltou o papel fundamental da ciência foi o fundador do Programa Nacional Olimpíadas de Química, Sergio Melo. Para ele, as olimpíadas do conhecimento aproximam os estudantes da pesquisa, estimulam novas gerações de profissionais e promove a descoberta de talentos. Melo citou a experiência cearense, onde as competições se consolidaram como importantes instrumentos de incentivo à educação. “No Ceará, as olimpíadas científicas têm uma força muito grande e não só nas principais cidades, que têm maior densidade, como no caso de Fortaleza, Sobral e Juazeiro. Nessas cidades, as olimpíadas são mais conhecidas não pelos Jogos Olímpicos, apesar de ter havido a Rio 2016 muito recentemente, mas pelas olimpíadas científicas que lá, no caso, têm uma ação muito profunda”, disse.
Selo e carimbos comemorativos
Durante a cerimônia solene no Senado Federal também ocorreu o lançamento do selo e do carimbo comemorativos dos 70 anos do Conselho Federal de Química. A iniciativa, realizada em parceria com os Correios, concretiza simbolicamente a trajetória da instituição e integra o calendário nacional de celebrações da data. A homenagem preserva a história da instituição como parte da memória do país.
Criação dos Conselhos Federal e Regionais de Química
A história do Sistema CFQ/CRQs começa em 18 de junho de 1956, quando o presidente Juscelino Kubitschek sancionou a Lei nº 2.800, criando o Conselho Federal de Química (CFQ) e os Conselhos Regionais de Química (CRQs). A medida marcou um novo momento para a profissão no Brasil, ao garantir uma estrutura própria para orientar, fiscalizar e valorizar o exercício da Química em todo o país.
A criação do Sistema foi resultado da mobilização de profissionais que buscavam maior reconhecimento para a categoria. Até então, a fiscalização da atividade era realizada pelo Ministério do Trabalho. Com a legislação, os próprios profissionais passaram a contar com uma instituição dedicada à defesa de seus interesses, à regulamentação das atividades químicas e à proteção da sociedade.
Ao longo das décadas, o Sistema CFQ/CRQs acompanhou o crescimento da indústria, da pesquisa e da inovação no Brasil. O que começou com a luta de um grupo de químicos transformou-se em uma rede presente em todas as regiões do país, reunindo milhares de profissionais e empresas.
